Eleições 2026: resultado das urnas leva Presidência ao segundo turno e redesenha o Congresso
Flávio Bolsonaro termina o primeiro turno à frente de Lula, PL amplia significativamente sua representação no Congresso e 20 estados definem seus governadores já no primeiro turno.
Por PoliticaBrazil.com | 5 de outubro de 2026
O primeiro turno das eleições gerais de 2026 terminou com uma mensagem política clara, mas sem uma decisão definitiva sobre quem ocupará a Presidência da República a partir de 2027.
Flávio Bolsonaro, do PL, terminou a votação presidencial na primeira colocação, seguido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Como nenhum dos candidatos alcançou mais da metade dos votos válidos, os dois voltarão às urnas no dia 25 de outubro para o segundo turno.
Mas limitar o resultado de domingo apenas à disputa presidencial seria ignorar uma das mudanças mais importantes produzidas pelas urnas.
O eleitor brasileiro também redesenhou parte significativa do Congresso Nacional, renovou dois terços do Senado, escolheu os 513 integrantes da Câmara dos Deputados e decidiu governos estaduais em grande parte do país.
Flávio Bolsonaro termina o primeiro turno na frente
De acordo com a totalização divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral, com 99,99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos.
Luiz Inácio Lula da Silva recebeu 53.876.617 votos, ou 45,16% dos votos válidos.
A diferença entre os dois candidatos foi de aproximadamente 2,23 milhões de votos, ou 1,87 ponto percentual.
Os demais candidatos somaram uma parcela significativamente menor dos votos, tornando o segundo turno uma disputa direta entre os dois principais campos políticos que dominaram a eleição.
O resultado também contrariou parte das pesquisas divulgadas nos últimos dias da campanha, que indicavam Lula numericamente à frente no primeiro turno. A urna produziu cenário diferente: Flávio terminou na liderança e chega ao segundo turno com a maior votação obtida no domingo.
Isso não permite antecipar o resultado de 25 de outubro. Segundo turno é uma nova eleição, com nova campanha, novos debates e a necessidade de ambos os candidatos disputarem os milhões de votos que foram destinados aos demais concorrentes, além dos eleitores que não compareceram.
Mais de 33 milhões de brasileiros não foram às urnas
Outro número importante apareceu fora da disputa entre candidatos.
Dos aproximadamente 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar, cerca de 33,4 milhões não compareceram às urnas.
A abstenção chegou a aproximadamente 21,08% do eleitorado.
Isso significa que cerca de um em cada cinco eleitores não participou do primeiro turno.
Também foram registrados aproximadamente 2,3 milhões de votos em branco para presidente e 3,67 milhões de votos nulos.
Esses números serão relevantes para as estratégias das duas campanhas no segundo turno. Convencer eleitores que escolheram outros candidatos é apenas uma parte da disputa. Mobilizar quem não compareceu às urnas também poderá fazer diferença.
O resultado mais estrutural talvez esteja no Congresso
Embora a disputa presidencial naturalmente concentre a maior parte da atenção pública, a eleição de 2026 produziu uma transformação importante no Poder Legislativo.
O Partido Liberal (PL) elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada da Câmara dos Deputados na legislatura iniciada em fevereiro de 2027.
A federação formada por PT, PCdoB e PV ficará com 82 deputados, formando a segunda maior representação.
Nenhum partido terá sozinho maioria absoluta na Câmara, que possui 513 integrantes. Isso significa que negociações entre diferentes partidos e blocos continuarão sendo necessárias para a aprovação de leis, reformas constitucionais, orçamento e outras matérias relevantes.
Ao mesmo tempo, possuir a maior bancada aumenta o peso político do PL na organização interna da Casa, na distribuição de espaços em comissões e na disputa pelos principais cargos do Legislativo.
Senado também passa por forte renovação
O impacto das eleições sobre o Senado talvez seja ainda mais relevante do ponto de vista institucional.
Em 2026, estavam em disputa 54 das 81 cadeiras da Casa, correspondentes a dois terços do Senado.
O PL elegeu 19 senadores neste pleito e deverá iniciar o próximo período legislativo com uma bancada de 28 parlamentares, tornando-se a maior representação partidária da Casa.
O PT deverá permanecer com nove senadores, enquanto o MDB ficará com oito, segundo a composição calculada após o resultado do primeiro turno.
O Senado exerce funções que frequentemente recebem menos atenção durante as campanhas eleitorais, mas possuem enorme importância para o equilíbrio institucional brasileiro.
Além de participar da elaboração das leis e da aprovação do orçamento federal, cabe ao Senado analisar indicações para diferentes autoridades da República e exercer competências constitucionais específicas envolvendo outras instituições do Estado.
Por isso, o resultado de domingo terá efeitos que vão muito além da eleição presidencial.
20 estados escolheram seus governadores no primeiro turno
As eleições estaduais também produziram definições importantes.
Em 20 estados, a disputa pelo governo foi encerrada já no primeiro turno.
Entre os resultados de maior repercussão estão a reeleição de Tarcísio de Freitas em São Paulo, a eleição de Cleitinho Azevedo em Minas Gerais, a vitória de Sergio Moro no Paraná e a reeleição de Jerônimo Rodrigues na Bahia.
Em São Paulo, Tarcísio de Freitas foi reeleito com mais de 62% dos votos válidos.
Em Minas Gerais, Cleitinho Azevedo foi eleito com aproximadamente 55,4%.
No Paraná, Sergio Moro venceu no primeiro turno com pouco mais de 50% dos votos válidos.
Na Bahia, Jerônimo Rodrigues garantiu a reeleição também no primeiro turno.
Outros estados ainda terão segundo turno em 25 de outubro. Há também situações específicas que podem depender de decisões da Justiça Eleitoral sobre candidaturas e votos considerados sub judice.
As urnas mostraram fortalecimento do PL, mas não eliminaram a fragmentação política
Quando os resultados da Presidência, da Câmara e do Senado são analisados conjuntamente, é possível identificar um movimento objetivo: o PL ampliou sua representação institucional nas eleições de 2026.
O partido terminou o primeiro turno presidencial na liderança, conquistou a maior bancada da Câmara e passará a ocupar a maior bancada do Senado.
Isso representa aumento expressivo de sua influência no processo legislativo a partir de 2027.
Mas o resultado não transforma o Congresso em uma estrutura politicamente homogênea.
O sistema partidário brasileiro continua fragmentado. PSD, MDB, Republicanos, Progressistas, União Brasil e diferentes federações partidárias continuarão possuindo bancadas capazes de influenciar votações.
Qualquer presidente eleito em 25 de outubro precisará construir relações políticas com um Congresso composto por diversas forças partidárias.
O primeiro impacto econômico apareceu imediatamente
Os mercados financeiros reagiram fortemente ao resultado presidencial.
Na manhã seguinte à eleição, o real apresentou forte valorização diante do dólar e o índice da Bolsa brasileira registrou alta expressiva nas primeiras negociações.
Segundo a Reuters, parte dos investidores interpretou o desempenho de Flávio Bolsonaro e o fortalecimento de seu partido no Congresso como aumento da possibilidade de uma política econômica mais orientada à redução de gastos, privatizações e menor carga tributária.
Essa reação, entretanto, representa a expectativa momentânea dos mercados financeiros e não uma avaliação definitiva sobre qual programa econômico produzirá melhores resultados.
A política econômica concreta dependerá de quem vencer o segundo turno, da composição da equipe de governo, das propostas efetivamente apresentadas e da capacidade de aprovação dessas medidas pelo Congresso.
Agora começa outra eleição
A partir desta segunda-feira, o cenário político muda.
Flávio Bolsonaro e Lula não precisam mais disputar espaço com dez outros candidatos à Presidência.
Precisam disputar diretamente o voto um do outro.
Precisam também convencer os eleitores que escolheram Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e os demais candidatos.
E precisam tentar trazer às urnas parte dos mais de 33 milhões de brasileiros que não votaram no primeiro turno.
O eleitor, por sua vez, terá pouco menos de três semanas para comparar duas propostas diferentes de governo.
Nesse período, questões como segurança pública, custo de vida, emprego, responsabilidade fiscal, programas sociais, tamanho do Estado, relações internacionais, liberdade econômica, direitos individuais e funcionamento das instituições deverão ocupar novamente o centro da disputa.
O Congresso eleito importa tanto quanto o presidente
Existe uma consequência das eleições deste domingo que deveria permanecer no debate durante as próximas semanas.
O presidente da República não governa sozinho.
Leis precisam passar pelo Congresso.
O orçamento federal depende do Legislativo.
Reformas constitucionais exigem maiorias qualificadas.
O Senado possui atribuições próprias sobre autoridades e instituições da República.
Governadores terão influência direta sobre segurança, saúde, educação, infraestrutura e administração dos estados.
Por isso, o resultado das eleições de 2026 não será definido exclusivamente no dia 25 de outubro.
Uma parte importante dele já foi decidida neste domingo.
Um novo equilíbrio de poder começa a surgir
O resultado do primeiro turno revelou um Brasil politicamente dividido, mas também mostrou mudanças concretas na distribuição do poder.
Flávio Bolsonaro saiu das urnas com 47,03% dos votos válidos.
Lula chegou ao segundo turno com 45,16%.
O PL ampliou fortemente sua presença na Câmara e no Senado.
Vinte estados escolheram seus governadores imediatamente.
E mais de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas.
São números que ajudam a explicar o Brasil político que começa a se formar para 2027.
A eleição presidencial, entretanto, continua aberta.
No dia 25 de outubro, o eleitorado decidirá quem comandará o Poder Executivo federal durante os próximos quatro anos.
Até lá, a responsabilidade das campanhas será apresentar propostas e diferenças com clareza.
E a responsabilidade do cidadão continuará sendo uma das mais importantes em qualquer democracia: analisar informações, confrontar propostas e realizar sua escolha de forma livre.
Dados principais do primeiro turno:
- Flávio Bolsonaro (PL): 56.104.268 votos — 47,03% dos votos válidos.
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 53.876.617 votos — 45,16% dos votos válidos.
- Segundo turno presidencial: 25 de outubro de 2026.
- Abstenção: aproximadamente 33,4 milhões de eleitores — 21,08%.
- Câmara dos Deputados: PL elegeu 121 deputados e terá a maior bancada.
- Federação PT-PCdoB-PV: 82 deputados federais.
- Senado: 54 das 81 cadeiras foram renovadas.
- PL no Senado: 19 senadores eleitos em 2026 e bancada projetada de 28 integrantes a partir de 2027.
- Governadores: 20 estados definiram a eleição no primeiro turno.
Fontes consultadas: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Agência Câmara de Notícias, Agência Brasil e Reuters. Dados atualizados em 5 de outubro de 2026.
